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Notícias

Crise econômica impacta resultado operacional dos hotéis brasileiros

Após dez anos consecutivos de crescimento das receitas, resultado dos hotéis urbanos (hotéis e flats) registra queda


Mesmo tendo adotado programas para redução de custos nos últimos dois anos, os hotéis e flats no país registraram queda no resultado operacional em 2015, na comparação com o ano anterior. O impacto negativo na performance é resultado da piora no cenário econômico, principalmente do encolhimento de quase 4% do PIB, além do aumento da oferta hoteleira no país. Porém, no longo prazo, o setor hoteleiro no Brasil continua atraindo investidores, principalmente estrangeiros, que podem se beneficiar da atual conjuntura.

As informações são da pesquisa Hotelaria em Números, realizada há 23 anos pela JLL Hotels & Hospitality, e que apresenta um panorama da performance de hotéis, resorts e flats do país. A amostra pesquisada para esta edição totaliza 500 hotéis, resorts e flats e traz informações e dados sobre seu desempenho operacional em 2015. Há seis anos, a JLL conta com a parceria do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), que incentiva a participação de seus associados, garantindo, assim, a abrangência e confiabilidade da amostragem.

RevPAR e inflação derrubam margens

O estudo mostra que o principal índice de performance dos hotéis e flats, o RevPAR* - receita por apartamento disponível -, registrou em 2015 queda de aproximadamente 15% em relação ao ano anterior, depois de dez anos de crescimento consecutivo até 2014, confirmando as previsões da edição anterior do estudo, publicada no ano passado. Os principais mercados hoteleiros do país registraram queda no RevPAR em 2015: Belo Horizonte (39%), Rio de Janeiro (27%), Brasília (26%), Porto Alegre (21%), Salvador (15%), São Paulo (8%) e Curitiba (2,4%).

A piora do índice, combinada com o aumento da inflação, que ficou próxima de 10% no ano passado, impactou negativamente as margens de lucro dos hotéis: o Lucro Operacional Bruto (GOP), que em 2014 foi de 36% sobre a Receita Total, caiu para 28,5% em 2015.

O fraco desempenho econômico afetou a taxa média de ocupação de hotéis e flats, que em 2015 chegou a ficar abaixo dos 60%, o que não acontecia desde 2006. Mesmo diante desse cenário, as diárias médias vinham apresentando crescimento até 2014. Porém, no ano passado, diante do forte declínio das taxas de ocupação, os hotéis precisaram adotar políticas de preços mais agressivas, o que consequentemente derrubou o valor das diárias médias, que caiu 7% em relação a 2014.

A taxa de ocupação também foi pressionada para baixo por conta do aumento da oferta, que em 2015 cresceu 4,2%. O maior crescimento foi registrado em hotéis afiliados a redes domésticas e internacionais: 9,2%. A oferta atual estimada no país é de 10.206 hotéis e 521.585 quartos.

​​Resorts: na contramão do mercado

Desde 2013, o desempenho dos resorts vem apresentando uma tendência de melhora, impulsionada principalmente pela desvalorização do real. Com a moeda nacional mais fraca em relação ao dólar, muitos brasileiros cancelaram viagens internacionais e procuraram destinos domésticos mais econômicos e, também para o turista estrangeiro, o Brasil tornou-se um destino mais barato.

Em 2015, a taxa de ocupação dos resorts ficou em 57%, alta de 7 pontos percentuais em relação a 2014 e só não houve um crescimento maior por conta da diminuição no segmento de grupos corporativos.

O relatório também registrou um crescimento de 4% no faturamento médio, que apesar de não ter acompanhado o nível de aumento das taxas de ocupação, é um resultado bastante positivo se comparado com a queda de 15% na receita dos hotéis.

Importantes transações continuam

Mesmo diante da deterioração do cenário econômico e da piora no desempenho dos hotéis, desde 2014 importantes transações vêm acontecendo no mercado hoteleiro nacional e mostram que o país continua sendo uma opção para investimentos de longo prazo e atraindo principalmente investidores estrangeiros, devido à desvalorização do real e ao pior desempenho dos hotéis, o que diminuiu consideravelmente o preço dos ativos.

Em 2015, o grupo hoteleiro tailandês Minor Hotels comprou os hotéis Tivoli, e o Fundo Soberano de Abu Dhabi (ADIA) investiu no projeto do Hotel Four Seasons São Paulo, em construção. Também foram registradas compras de hotéis existentes por family-offices locais. "É esperada uma maior atividade de aquisições de hotéis existentes por fundos de private equity", diz Ricardo Mader, diretor da JLL Hotels & Hospitality.

Perspectivas

Para o exercício de 2016, a perspectiva da consultoria também é de que o desempenho dos hotéis apresente nova queda, porém, há algumas movimentações sendo observadas: com as perspectivas de estabilização política e de recuperação econômica, espera-se a partir do segundo semestre uma melhora nas taxas de ocupação, o que deve provocar um leve aumento nas diárias médias.

De modo geral, a oferta hoteleira no país não deve crescer nos próximos anos a ponto de impactar as taxas de ocupação nos principais mercados, com exceção do Rio de Janeiro, que de 2014 até 2017 deverá ter um acréscimo de mais de 50% no número de quartos.

A pressão inflacionária também deve continuar a impactar negativamente as margens dos hotéis esse ano, porém há perspectiva de melhora já no segundo semestre: "à medida que os investimentos diretos voltem a crescer e a inflação continue apresentando as recentes tendências de queda, há possibilidade de que as margens possam começar a esboçar uma recuperação", afirma Ricardo Mader.

Ele aponta ainda que a tendência mundial de consolidação das redes hoteleiras pode tomar mais corpo no Brasil ainda este ano, como uma estratégia para enfrentar as recentes ameaças ao setor, como as agências de viagens online (OTAs) e novos negócios de hospedagem como o Airbnb.

"As redes hoteleiras também deverão aproveitar este momento para expandir sua presença ou lançar novas marcas no país, por conta da maior disponibilidade de hotéis sendo colocados à venda por proprietários que entraram no setor hoteleiro para diversificação de investimentos e agora começam a mostrar intenções de vender esses ativos", diz Mader.

"A pesquisa Hotelaria em Números é um instrumento muito importante para todos os envolvidos no setor hoteleiro porque nos ajuda a entender o impacto das mudanças de cenário no país. Acreditamos na constante evolução de nosso setor e na manutenção dos investimentos, uma vez que o turismo é fundamental para a economia, gerando receita e empregos", afirma Manuel Gama, Presidente do FOHB e Presidente da rede Travel Inn.

 

Para baixar a pesquisa Hotelaria em Números acesse: http://www.jll.com.br/brazil/pt-br/relatorios/127/hotelaria-em-numeros-2016​

 

 

Nota: *RevPAR (abreviatura de revenue per available room) é um índice de rentabilidade que combina a taxa de ocupação e a diária média, representando a receita por apartamento disponível. O RevPAR é obtido dividindo-se a receita de apartamentos pelo total de apartamentos disponíveis no ano ou multiplicando-se diretamente a taxa de ocupação anual pela diária média.

Sobre a JLL Hotels & Hospitality Group

A JLL's Hotels & Hospitality Group concluiu ao longo dos últimos cinco anos mais transações do que qualquer outra consultoria imobiliária do mundo na área de hotéis e hospitalidade, totalizando quase US$ 68 bilhões. Além de negociar grandes transações, sua equipe de mais de 350 especialistas também realizou mais de 4.400 trabalhos de consultoria, avaliação e gestão de ativos. Os investidores em todo o mundo procuram a JLL para moldar suas estratégias e maximizar o valor dos seus ativos. Somos reconhecidos como líderes mundiais em serviços imobiliários em todo o ciclo de vida de propriedades imobiliárias e de hospitalidade, de todos os formatos e tamanhos. Nossa equipe tem o suporte de um departamento de pesquisas líder na indústria hoteleira. Para saber mais: www.jll.com/hospitality

 

Sobre o FOHB

O FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil é uma entidade associativa sem fins lucrativos que reúne as mais importantes redes hoteleiras com atuação no país. Fundado em 2002, atualmente, representa as 27 principais redes hoteleiras nacionais e internacionais que atuam no Brasil, totalizando 635 hotéis e 111 mil UHs (unidades habitacionais), presentes em 150 cidades, em 24 estados, e no Distrito Federal, gerando atualmente R$ 2,6 bilhões de impostos por ano e cerca de 182 mil empregos diretos e indiretos.

 

As três áreas de forte atuação da entidade são: Representação, atuando como porta-voz dos associados frente ao setor público; Desenvolvimento, contribuindo para a modernização dos processos do setor e promovendo a atividade no mercado; e Informação, reunindo dados relevantes por meio de pesquisas e estudos diversos.

 

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Sobre a JLL

A JLL (NYSE:JLL), empresa Fortune 500, é uma consultoria imobiliária que oferece serviços integrados para investidores, proprietários e ocupantes de imóveis comerciais que abrangem escritórios, hotéis, propriedades industriais, condomínios logísticos, propriedades do setor de varejo, ambientes críticos e data centers, entre outros. O amplo portfólio de serviços oferecidos pela empresa possibilita a seus clientes maximizar o valor de seus ativos por meio de aquisições, ocupação ou investimentos imobiliários.

 

Com receita global anual de honorários de US$ 5,2 bilhões, e receita bruta de US$ 6,0 bilhões, tem 230 escritórios, atua em 80 países, e sua força de trabalho global compreende 60 mil profissionais. A empresa oferece serviços imobiliários para um portfólio de 372 milhões de m² no mundo e completou US$ 138 bilhões em vendas, aquisições e transações financeiras em 2015. JLL é marca registrada da Jones Lang LaSalle Incorporated.

 

Os principais serviços oferecidos no Brasil incluem: transações (locação, vendas e investimentos), gerenciamento de propriedades, gestão de projetos e desenvolvimento, serviços de design and build, gerenciamento de facilities, serviços de manutenção e engenharia, avaliações imobiliárias, pesquisas de mercado, serviços imobiliários para varejo e consultoria hoteleira.

 

Para mais informações, visite o site: http://www.jll.com.br e conheça a newsletter corporativa Panorama, com as principais notícias e informações sobre o mercado imobiliário e os negócios realizados pela empresa.