Reportagem

Como a inteligência logística beneficia empresas de varejo e seus clientes

Boa localização e tecnologia dos condomínios logísticos facilitam operações e garantem entrega mais rápida de produtos.

Junho 27, 2019

Fazer com que os produtos cheguem cada vez mais rapidamente e com menor custo aos clientes é um desafio para as empresas de varejo. No comércio tradicional, é possível programar estoque, mas, quando se trata de e-commerce, o valor do frete e o tempo de espera pela chegada do produto são fatores fundamentais para a satisfação do cliente. Por isso, a inteligência logística faz dos condomínios de galpões opções tão atraentes para as empresas, como explica Ricardo Hirata, gerente de Transações da JLL.

“Em geral, as empresas de varejo têm as mesmas necessidades, que são, basicamente, facilidade de acesso e redução do custo do frete, mas e-commerces preferem estar mais perto do consumidor, em um raio de 30 a 50 km da capital, para ter mais agilidade na entrega. Porém, cada vez mais, as marcas estão ampliando sua presença no comércio eletrônico, mesmo que não sejam exclusivamente lojas virtuais”, diz.

Os dados comprovam: o e-commerce brasileiro cresceu 12% e faturou R$ 53,2 bilhões em 2018, segundo levantamento feito pelo Ebit/Nielsen. A alta poderia ter sido ainda maior, considerando que o comércio sofreu em um ano com greve de caminhoneiros, Copa do Mundo e eleições. Para 2019, a expectativa é de expansão de 15%, com vendas totais de R$ 61,2 bilhões. E há também grande potencial de avanço no longo prazo, visto que 35,3% da população ainda não acessa a internet, de acordo com o IBGE. 

GPA: Inteligência logística representa competitividade

O GPA é um exemplo de empresa que tem fortalecido sua presença digital, para além das 863 lojas físicas que incluem as bandeiras Assaí, Pão de Açúcar, Extra e Compre Bem. O tamanho da rede e a abrangência da distribuição fazem com que a inteligência logística seja essencial para a competitividade do grupo.

O GPA possui 18 centros de distribuição (CD) em seis Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Ceará), com área de armazenagem de 500 mil m², que abrangem todos os departamentos: mercearia, frigorífico e não alimentos. A operação possui armazenamento e cross docking (quando o produto chega ao CD e já é enviado para a loja, caso de frutas, legumes e verduras). São 4 mil colaboradores nos galpões e uma frota de 2 mil caminhões para a distribuição, sendo 90% terceirizados - a exceção é para o e-commerce, como explica Marcelo Arantes, diretor executivo de Supply do GPA. 
 

De caminhões a bicicletas: varejistas fazem o possível para satisfazer o consumidor online


“As entregas de compras online são feitas em caminhões mais específicos, menores, com três ambientes: congelado, refrigerado e seco. O desafio no e-commerce é atender ao anseio de compra na velocidade que o cliente quer. Por isso, temos algumas modalidades de entrega, por exemplo, para o dia seguinte, em até quatro horas e em uma hora, por moto ou bicicleta. Essa última pela nossa plataforma de entregas James Delivery”, afirma.

Com operações tão complexas, é natural que o nível de exigência seja alto para os galpões logísticos. Arantes enumera alguns requisitos para a escolha dos CDs:

  • Baricentro logístico - local mais próximo do número de lojas que precisam ser abastecidas. A
    partir desse critério, é feita a análise de viabilidade considerando o custo do imóvel e o frete.
    Além disso, precisa estar perto de vias de transporte satisfatórias;
  • Capacidade do piso para empilhamento vertical;
  • Pé-direito de 12 metros pelo menos;
  • Boa quantidade de docas de recebimento;
  • Sistema de portaria individual, pois o fluxo é intenso;
  • Segurança.

Arantes também aponta a tecnologia como aliada. “Com inteligência logística e o uso de softwares e automação, conseguimos reduzir o custo da operação entre 10% e 20%. Usamos tecnologia de agendamento de carga para otimizar o descarregamento dos fornecedores, separação dos produtos por voz, o que economiza de 25% a 35% do tempo dos separadores, sistemas de gestão do armazenamento, entre outros”, exemplifica.

Para aumentar a eficiência logística, o GPA também está investindo na diversificação dos modais usados no transporte da carga. Até três anos atrás, 100% eram feitos por via rodoviária.

“Estamos mudando um pouco essa matriz. Hoje, 8% dos transportes são feitos por cabotagem, principalmente no Nordeste, e estamos começando a usar o modal ferroviário, com um piloto para o Rio de Janeiro. Os pontos positivos da diversificação são que o custo do transporte reduz de 20% a 30%, a emissão de carbono é menor e a segurança, maior”, pontua. 

Condomínios e a inteligência logística das operações

Com tantos desafios operacionais para as empresas, a decisão de onde se instalar pode ser difícil. Ricardo Hirata, especialista da JLL no tema, enumera algumas vantagens dos galpões em condomínios para a inteligência logística:

  • Os custos de administração das áreas comuns são divididos entre os ocupantes;
  • Em geral, estão bem localizados, em regiões que seriam caras para uma operação monousuária;
  • São modulares, o que dá flexibilidade para a expansão da operação;
  • Oferecem tecnologia, como piso reforçado e nivelado a laser para melhor funcionamento das
    empilhadeiras e docas para cross docking.

A JLL é especializada em comercializar condomínios logísticos de alto padrão e tem know how não apenas técnico, mas também inteligência de mercado, que mapeia as políticas fiscais dos municípios, mão de obra, questões de infraestrutura, acesso a rodovias, amenities etc. 

“Temos informações detalhadas de cada empreendimento e podemos ajudar na definição do escopo técnico, com análise do número de docas, da distância entre os pilares internos do galpão para área de manobra dos equipamentos, capacidade de empilhamento (pé-direito e peso suportado pelo piso), espaços destinados para a separação de produtos, entre outros.”

Ricardo Hirata, gerente de Transações, JLL

O GPA percebeu na prática as vantagens de contar com um parceiro especializado na hora de escolher um condomínio logístico. A JLL intermediou a locação do GLP Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. O trabalho durou mais de um ano, com o mapeamento de mais de 20 opções de lugares, considerando localização e frete interessantes para as necessidades da empresa.

“Temos três CDs no Rio, o que não permite otimizar a cadeia. Por isso, tomamos a decisão de centralizar em um único site. Com a prospecção, o mapeamento e a análise técnica qualitativa da JLL, a escolha ficou fácil. Você tem a garantia de que está olhando todas as opções do mercado, com a lente de quem entende do segmento, o que permite tomar a decisão com um nível de incerteza menor”, considera Arantes.

Mercado de condomínios logísticos está aquecido

As empresas que ainda não usufruem da inteligência logística proporcionada por boas escolhas imobiliárias devem começar a se movimentar, pois o mercado está aquecido, segundo o executivo da JLL.

A taxa de vacância de condomínios logísticos continua em queda, sendo de 21,1% no primeiro trimestre de 2019, e os proprietários, principalmente no mercado de São Paulo, já deram início a obras de novos projetos, além de algumas expansões de condomínios existentes. Foram entregues 97 mil m² neste ano, e a previsão de entrega para os próximos trimestres é de 853 mil m², volume 61% superior a 2018.

“A demanda por galpões está em alta desde o final de 2017. Este mercado no Brasil era obsoleto, pouco eficiente, mas, com os novos empreendimentos, as empresas consolidaram suas operações e migraram para experiências melhores. Agora, temos observado a preparação do mercado para a melhora da economia”, analisa Hirata.