Pesquisa

O futuro da demanda
global por escritórios

O aumento do trabalho em casa não significa uma menor demanda. Nossa pesquisa identificou quatro fatores principais que terão um papel importante na definição do futuro dos escritórios.

23 de Junho de 2020

A demanda por espaços de escritórios está intrinsecamente ligada à economia. Em períodos de crise, a demanda por escritórios geralmente diminui à medida que as taxas de emprego caem e as empresas passam a economizar. Sem dúvidas, a pandemia nos levou a uma recessão global e, no curto prazo, haverá um impacto direto na demanda por espaços de trabalho. No entanto, diante do sucesso do trabalho remoto em larga escala, a pergunta que fica é a seguinte: no longo prazo, será que veremos a extinção dos escritórios?

Esta não é uma equação tão direta como frequentemente vemos por aí, já que o aumento do trabalho remoto não equivale diretamente a uma menor demanda por espaços de escritórios. Há diversos outros fatores que precisam ser observados, incluindo densidade, retorno financeiro, produtividade e tecnologia. Antes de examinar esses fatores, vale a pena analisar a função e o propósito dos escritórios, tanto do ponto de vista do empregador como do funcionário.

A discussão atual é muito simplista...

A demanda por escritórios será mais complexa futuramente, com diversos fatores em jogo...

  • Taxa de emprego
  • Situação de saúde pública
  • Diretrizes governamentais
  • Custos de Real Estate vs. Talentos
  • Nova legislação
  • Tecnologia
  • Retorno sobre o investimento
  • Densidade de ocupação
  • Crescimento econômico
  • Necessidade de inovação
  • Cultura da empresa
  • Questão geográfica
  • Tendências no design dos espaços
  • Métricas de produtividade
  • Compartilhamento vs. dedicação
  • Comportamento dos deslocamentos

Do ponto de vista do ocupante corporativo, os escritórios oferecem um espaço físico para reunir as pessoas e, assim, coordenar atividades, resultados e desempenho, além de estimular a criatividade. Além disso, os escritórios exibem a marca e a cultura da empresa e têm um papel essencial para atrair e reter talentos. A função dos escritórios continuará evoluindo, impulsionando tendências que destacam a importância da colaboração e da inovação para a produtividade dos funcionários.

Do ponto de vista dos funcionários, os escritórios representam um local para interações presenciais que a tecnologia nem sempre consegue reproduzir, como o contato social, colaboração, orientação e gerenciamento. Mesmo após o recente sucesso do trabalho em casa, os colaboradores ainda afirmam que gostariam de estar no escritório durante a maior parte da semana.

Fatores que moldam o futuro da demanda

Quatro fatores principais terão um papel importante na definição do futuro da demanda por escritórios no curto e longo prazos:

Trabalho remoto:

Trabalhar em casa traz benefícios claros para os funcionários, como não precisar se deslocar e ter horários flexíveis. No entanto, os arranjos familiares e/ou as condições de moradia de algumas pessoas dificultam o trabalho em casa devido a limitações de espaço, falta de privacidade e/ou outras distrações. Além disso, os funcionários sentem falta da interação social que a vida no escritório proporciona. No longo prazo, a manutenção da produtividade fora do escritório ainda precisa ser confirmada e provavelmente dependerá de interações regulares no escritório. A flexibilidade será essencial para a satisfação dos funcionários, e o equilíbrio entre o escritório e o trabalho remoto em qualquer lugar será baseado no indivíduo.

Design do escritório:

Quase não há dúvidas de que a COVID-19 vai acelerar algumas mudanças no design dos escritórios. A mais evidente é a densidade ocupacional. Essa tendência crescente se inverteu rapidamente à medida que as pessoas aderiram ao distanciamento social. Entretanto, quando uma vacina ou tratamento eficaz estiver disponível, é provável que haja um movimento de retorno às densidades registradas antes da COVID-19, mas não completamente, pois saúde e bem-estar continuarão sendo uma prioridade para os ocupantes. Provavelmente, haverá maior foco em espaços que promovam a interação presencial, pois o espaço dos escritórios será redesenhado ou ressignificado de forma diferente das atuais mesas individuais, ocupadas durante o dia todo.

Tecnologia:

É improvável que a tecnologia por si só tenha um impacto significativo na demanda geral por locações. No curto prazo, a adoção de novas tecnologias facilitará o trabalho remoto e também garantirá o bem-estar e a eficiência dos funcionários quando eles retornarem aos escritórios. No longo prazo, espera-se que a demanda dos ocupantes seja direcionada a edifícios comerciais altamente tecnológicos e inteligentes, que possam dar apoio a iniciativas ambientais, de sustentabilidade, de saúde e bem-estar das empresas. Com isso, a demanda por ativos de menor qualidade deve diminuir no longo prazo.

Padrões de deslocamento:

Não precisar se deslocar é o benefício mais citado do trabalho em casa e será uma das questões mais preocupantes no retorno ao escritório, principalmente nas cidades que são altamente dependentes do transporte coletivo. É provável que a reentrada aos escritórios seja mais lenta em muitas delas. Algumas cidades estão enfatizando os benefícios de andar de bicicleta ou a pé. No longo prazo, espera-se que a interação presencial (tanto interna como externa) ainda se concentre em centros urbanos bem localizados e altamente equipados. Esses fatores sustentarão a demanda e o valor dos mercados urbanos com boa infraestrutura de transporte.

A peça final do quebra-cabeça é qual será o foco dessa demanda - os padrões espaciais da demanda por escritórios. As atrações inerentes às cidades em termos de oportunidades econômicas, conexões sociais e qualidade de vida provavelmente prevalecerão, apesar das preocupações no curto prazo em relação ao distanciamento social. As forças que já estavam transformando nossas cidades antes da COVID-19 continuarão impulsionando mudanças e a demanda por escritórios: digitalização e automação, cidade responsável e globalização.

A lógica espacial de nossas cidades e seus arredores evoluirá em resposta à digitalização, novas preferências de moradia e locais de trabalho e demanda por um modelo urbano mais sustentável e resiliente. A tendência da ‘urbanização descentralizada’ ganhará força após a pandemia, com a rápida evolução das redes de cidades hiperconectadas e digitais localizadas no entorno de grandes centros como Nova York, Paris e Tóquio.

A ascensão das regiões urbanas hiperconectadas alterará gradualmente o padrão espacial da demanda por escritórios em direção a um ecossistema diversificado de escritórios, com três elementos principais:

  1. Demanda crescente em subúrbios habitáveis e bem conectados, e cidades pequenas
  2. Um núcleo urbano reimaginado e cada vez mais multiuso
  3. Novos grupos de atividades baseadas na inovação

 

Considerações finais

A pandemia de COVID-19 teve um impacto extremo e imprevisto em nosso mundo, com consequências marcantes no curto e longo prazos. Haverá uma correção inevitável no curto prazo, à medida que o impacto econômico da pandemia afeta a atividade corporativa como um todo. No entanto, no longo prazo, os escritórios continuarão sendo parte fundamental da cultura corporativa e terão um papel essencial em nosso trabalho e produtividade.

Após a pandemia, no curto prazo, será inevitável um ajuste do mercado de espaços de escritórios, à medida que o impacto econômico afeta a atividade corporativa como um todo. A flexibilidade de trabalhar em casa será altamente integrada à vida profissional, beneficiando funcionários e empregadores. Um maior foco no bem-estar e a redução da densidade, além de melhorias no design para incentivar interações que são difíceis de acontecer remotamente, são elementos que podem mudar e devem compensar a diminuição dos espaços em consequência do aumento do trabalho remoto. O espaço do escritório continuará evoluindo. Os escritórios estão longe de desaparecer e, como resultado dessa crise, terão um papel ainda maior na promoção do bem-estar e da produtividade nas empresas.

Neste estudo, analisamos essas questões amplamente e trazemos algumas reflexões sobre o futuro da demanda por escritórios.

Baixe o relatório completo e saiba mais sobre o futuro da demanda por escritórios:

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