Reportagem

Como as agências reguladoras estão “apertando os parafusos” nos relatórios de sustentabilidade

As regulamentações propostas levarão as empresas à transparência sobre as normas climáticas.

26 de Abril de 2022

Não basta que as empresas tenham boas intenções em torno da sustentabilidade. Afinal, acionistas de empresas públicas estão cada vez mais pedindo informações sobre os riscos que as mudanças climáticas podem representar para seus investimentos.

Uma nova regra proposta pela Securities and Exchange Commission (SEC) foi elaborada para criar padrões gerais. É uma das mais recentes iniciativas políticas no mundo para abordar o assunto.

Se entrar em vigor, a proposta exigirá que as empresas públicas divulguem suas emissões anuais de gases de efeito estufa (GEE) e o risco climático que seus negócios enfrentam, incluindo como as emissões de Escopo 1, 2 e 3 impactam suas operações comerciais e resultados financeiros. Dado que os imóveis são responsáveis por cerca de 40% das emissões de carbono, a implementação de medidas para descarbonizar edifícios novos e existentes agora tornou-se uma prioridade.

"Os acionistas estão se tornando ativistas neste setor e estão pressionando as empresas", diz o diretor Global de Sustentabilidade da JLL, Richard Batten. "Mas não são apenas investidores. Nossos clientes também estão pedindo ação."

Metas definidas

À medida que as expectativas em torno da ação corporativa sobre sustentabilidade continuam crescendo, investidores, clientes e funcionários procuram cada vez mais empresas para mostrar planos abrangentes sobre como alcançarão seus compromissos.

Embora algumas empresas estejam concentrando grandes esforços, como o compromisso da HP de eliminar 75% de suas embalagens plásticas de uso único, muitas ainda estão tentando estabelecer benchmarks e definir metas concretas.

O essencial para implementar as diretrizes propostas pela SEC é entender os dados de emissões, analisa Jennifer Fortenberry, gerente Global de Produtos, Energia e Sustentabilidade da JLL. "A normalização dos dados ajudará as empresas a identificar áreas para se aprofundar e fazer mudanças significativas."

O monitoramento e a análise desses dados ajudam a identificar oportunidades e implementar melhorias contínuas na eficiência energética. Ferramentas como o Canopy, da JLL, centralizam os dados ambientais e de serviços público e suportam os tipos de relatórios requisitados pela SEC.

"Você não pode gerenciar o que você não pode medir. Se você não tem todas essas informações em um só lugar, então você realmente não pode priorizar os esforços para fazer melhorias", diz Fortenberry. "Relatórios e compliance são o mínimo exigido hoje em dia."

Até o momento, um grande obstáculo tem sido a enorme variedade de modelos de relatórios de sustentabilidade – se as empresas tiverem publicado essas informações. "Para que ocorram ações significativas de longo prazo, é preciso que haja consistência nos relatórios e nos dados. Então, colocar essa pauta mais próxima e levar o tema para as salas de reuniões e departamentos financeiros são ações excelentes", explica a vice-presidente de Sustentabilidade da JLL, Cynthia Curtis.

As divulgações propostas são como aquelas que muitas empresas já fornecem, baseadas em modelos amplamente aceitos, como a Task Force on Climate-Related Financial Disclosures e o Protocolo de Gases de Efeito Estufa. Enquanto cerca de um terço das empresas públicas já incluem algumas informações sobre o risco climático em seus relatórios anuais, outras afirmam que divulgar os dados seria complicado e caro.

"As pessoas estão reconhecendo que não podem fazer isso sozinhas e precisam trabalhar com uma ampla gama de parceiros", comenta Curtis. "Os líderes empresariais estão procurando ajuda e parceiros para ajudá-los a desenvolver esses planos e entender quais são os passos que devem dar nessa área."

Olhando para o futuro

À medida que a SEC procura estabelecer novos padrões sobre divulgações relacionadas ao clima, a questão do "o que vem a seguir" está circulando. A regra proposta pela SEC permanece relativamente frouxa sobre as emissões difíceis de rastrear do Escopo 3 (indiretas); as empresas só seriam obrigadas a divulgar as emissões do Escopo 3 se tiverem estabelecido metas. No entanto, os acionistas não estão fugindo da conversa.

Recentemente, os acionistas da Costco pediram que a varejista adotasse metas de redução, baseadas na ciência de curto, médio e longo prazos para toda a sua cadeia de valor. E, no ano passado, os acionistas da ConocoPhillips votaram a favor da definição de metas de redução de emissões que incluem o uso dos combustíveis na empresa.

Especialistas antecipam que regulamentos como a Lei Local 97 de Nova York (conteúdo em inglês) tenham metas específicas de redução com um cronograma definido – e duras penalidades quando essas metas não forem cumpridas. Dessa forma, espera-se que as novas diretrizes da SEC sejam seguidas pela iniciativa da própria International Financial Reporting Standards para elaborar padrões de relatórios de risco climático.

Embora chegar ao Carbono Líquido Zero possa parecer assustador, Batten sugere olhar como um quebra-cabeça. "Se você dividí-lo em partes individuais e criar um plano para cada parte, então, eis que, de repente, você passou de 100 para zero."

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