Reportagem

Data center: um segmento em ascensão

Com uma quantidade cada vez maior de dados, crescem também a necessidade de armazenamento e a demanda pelo espaço físico adequado.

17 de Fevereiro de 2020

A tecnologia está elevando a produção de dados a níveis nunca antes vistos. Assim, aumenta também a demanda por data centers, os espaços onde estão os servidores que armazenam e processam essas informações digitais. O segmento cada vez mais se torna estratégico para empresas de todos os tipos e tem recebido investimentos crescentes.

Para se ter uma ideia, a quantidade de dados disponíveis hoje equivale a 23 vezes a viagem da Terra até a Lua, segundo estudo da Business Software Alliance. E esse indicador não para de crescer. O volume de dados gerados por dia supera a marca de 2,5 quintilhões (um quintilhão = 1.000.000.000.000.000.000). O número fica um pouco mais inteligível se considerarmos a produção de dados por minuto:

  • O Google realiza quase 4 milhões de buscas;
  • São postadas quase 50 mil fotos no Instagram;
  • No Youtube, são quase 500 mil vídeos assistidos;
  • No Twitter, são quase meio milhão de tweets;
  • No Linkedin, são criados 120 perfis profissionais;
  • São enviadas 13 milhões de mensagens SMS.

As estatísticas foram apresentadas no evento Data Center Dynamics, realizado em São Paulo, em novembro de 2019. Monica Lee, diretora de Representação de Ocupantes da JLL que atua em projetos no setor, foi conferir de perto as últimas novidades dessa indústria que cresce em todo o mundo.

“O segmento corporativo ainda lidera a produção de dados, mas, com a ascensão de tecnologias como a Internet das Coisas, a tendência é que as pessoas também passem a ser grandes geradoras”, afirma. 

Do data center próprio para a nuvem

Outra possibilidade do setor é a migração de data centers próprios para a nuvem, com o serviço sendo provido por grandes players. Atualmente, cinco empresas dominam 80% deste mercado – AWS, Google, Facebook, Microsoft e Apple, que anunciaram investimentos de US$ 1 bilhão a US$ 3 bilhões. Essas corporações possuem os chamados Hyperscale Data Centers que, como o nome indica, são escaláveis.

“Um exemplo claro desse movimento são os bancos. Instituições mais antigas investiram em data centers próprios. As novas fintechs já nascem com seus dados na nuvem”, diz Monica.

Uma pesquisa da Uptime Institute estima que, em 2020, os dados na nuvem devem superar os data centers corporativos.

Crescimento dos data centers na América Latina

A América Latina é o quarto maior mercado do setor, atrás de Estados Unidos, APAC (Ásia-Pacífico) e EMEA (Europa, Oriente Médio e África). Tudo indica que a região se desenvolverá rapidamente após os recentes investimentos feitos por Microsoft e Google em cabeamento submarino.

Os lugares que lideram a concentração de data centers são São Paulo (representando 2/3 do mercado), Rio de Janeiro, Santiago, Bogotá e Buenos Aires.

É uma oportunidade para proprietários e investidores imobiliários desenvolverem produtos adequados às necessidades dessa indústria. Por exemplo, as operações de colocation, em que um data center independente oferece hospedagem compartilhada para servidores de diversas empresas, crescem de 15% a 20% ao ano, de acordo com dados da JLL.

No entanto, não é tarefa fácil oferecer soluções de data center. Trata-se de um ativo considerado crítico nas empresas pelas especificidades que exige. Afinal, são equipamentos caros, pesados, que demandam refrigeração e fornecimento de energia constantes e guardam informações preciosas de empresas e clientes. Daí a importância de contar com a expertise de uma consultoria imobiliária também nesse segmento. 

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