Reportagem

Edifícios boutique: uma tendência que cresce entre locatários e investidores

Oferta de lajes reduzidas, com um toque de exclusividade e sofisticação, tem atraído cada vez mais empresas.

23 de Maio de 2022
Autores:
  • Bruna Martins Fontes

Alugar uma grande laje em uma torre imponente é algo bem comum no mundo corporativo. Esse tipo de locação, porém, não contempla todo o tipo de empresa. Negócios de menor porte, como family offices, ou que atuam no mercado financeiro, por exemplo, estão ocupando espaços mais exclusivos em edifícios boutique.

O edifício boutique é um prédio comercial com design e localização sofisticados, que oferece serviços, amenities e infraestrutura diferenciados. As lajes costumam ser menores (entre 400 m2 e 800 m2), o que também acaba proporcionando uma ocupação mais customizada e exclusiva.

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“O público que busca esse tipo de imóvel está crescendo, especialmente entre empresas que querem mais conforto e exclusividade e desejam transmitir um diferencial por meio da imagem do edifício. Ou entre as que adotaram o trabalho remoto e reduziram sua ocupação”, comenta Yara Matsuyama, diretora de Locação na Divisão de Escritórios da JLL.

Os números confirmam: a taxa de vacância dos edifícios boutique não chega a 5%, aponta um levantamento feito pela JLL — em algumas regiões de São Paulo (SP), o preço do metro quadrado desse tipo de imóvel chega a alcançar R$ 220 por mês.

“O edifício boutique é formatado para um público que gosta de exclusividade e que se mostrou bastante resiliente, mesmo durante a pandemia”, diz Yara. “Quando boa parte das empresas de grande porte fez algum movimento de devolução de imóveis, poucos edifícios boutique foram devolvidos. Nos casos em que isso aconteceu, a reabsorção foi muito rápida.”

Em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte, os edifícios boutique estão localizados em regiões nobres — por serem imóveis mais sofisticados, precisam ter uma forte sinergia com sua localização. Em São Paulo, por exemplo, ficam em regiões como Jardins e Itaim e nas Avenidas Faria Lima e Juscelino Kubitschek.

Esse tipo de empreendimento também deve surgir em endereços onde a oferta de prédios corporativos é escassa e a vacância segue baixa, o que reduz a pressão por preço. “A Avenida Rebouças, por exemplo, está passando por uma mudança, então pode ser uma região promissora, ainda mais por estar perto dos Jardins e em desenvolvimento”, explica a diretora de Locação.

Bom retorno para investidores

Outro diferencial dos edifícios boutique é que já chegam com a preocupação de atender às demandas de ESG (ambiental, social e governança) e de tecnologia, tanto nos projetos novos como nos de retrofit. 

Do ponto de vista dos investidores, os edifícios boutique começam a aparecer como uma opção interessante. “Eles têm olhado para esse mercado buscando um retorno mais rápido do capital investido. Como esse é um nicho específico e que está em crescimento, a tendência é que os imóveis se valorizem”, afirma Thiago Botelho, analista de Pesquisa e Inteligência de Mercado da JLL. 

Thiago aponta que essa também é uma estratégia a ser considerada em função da oferta de terrenos menores. “Regiões como a Faria Lima, a Paulista e o Itaim têm cada vez menos espaço, então o edifício boutique é uma solução que aproveita melhor o terreno por ser um formato que está sendo bem aceito. Além disso, nas praças onde há alta vacância comercial, como no Rio de Janeiro, pode fazer sentido a construção/retrofit de um produto que atenda à demanda pontual de regiões mais nobres.”

Adaptar o prédio para esse estilo tem sido também uma saída para superar a vacância. “Já vimos casos em que grandes lajes de 1.000 m2 ou 2.000 m2 foram divididas em conjuntos menores e, assim, foram rapidamente alugados”, pontua Yara. “Locar o escritório já mobiliado também tem dado muito certo nesse nicho, afinal, o espaço já montado traz um impacto importante, pois ajuda a fazer com que o ocupante se enxergue naquele escritório.”

A especialista da JLL avalia que a tendência está se consolidando, veio para ficar e pode ser observada em outros segmentos, como o residencial e o hoteleiro. “Todos os nichos vão buscar oferecer um atendimento diferenciado, exclusivo e personalizado para os clientes”, finaliza Yara. 

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