Reportagem

Diversidade e inclusão: como criar espaços acessíveis no seu escritório

Com o assunto em alta na sociedade, essa é uma preocupação cada vez maior das empresas.

07 de Agosto de 2019
Diversidade e inclusão no ambiente de trabalho, escritório

Você sabia que, para um ambiente ser propício à diversidade, é necessário considerar diversos aspectos, como arquitetônicos, comunicacionais e instrumentais, e a atitude das pessoas que o ocupam? No espaço de trabalho, as preocupações com a inclusão ainda vão além: incluem adequação de processos, bem como a revisão de políticas e normas com o objetivo de eliminar barreiras e garantir a acessibilidade de todas as pessoas.

Alguns mecanismos ajudam a orientar a adequação dos espaços, como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, de 2015, e as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Mas o ideal seria que os lugares já fossem concebidos para ser acessíveis a todos, com o chamado desenho universal, segundo Thays Toyofuku, gerente de Diversidade e Inclusão da JLL.

“A legislação sobre acessibilidade é abrangente no conceito, mas a adoção de muitas iniciativas ainda depende do investimento de cada empresa. O desenho universal é uma solução mais completa porque vai além da norma, direcionando o olhar para todas as pessoas. Afinal, acessibilidade não engloba só deficiências. Inclui também idosos, crianças e mulheres grávidas, por exemplo. Os espaços têm que ser acessíveis para qualquer pessoa”, afirma.

Luciana Arouca, gerente de Projetos e Obras da JLL, diz que um de seus papéis é provocar o cliente a refletir sobre a conformidade dos espaços de acordo com a diversidade. “Quando a acessibilidade está prevista na fase de planejamento do projeto, é mais fácil e econômico fazer as adequações”, pontua. 

Diversidade e inclusão de dentro para fora

Além de ajudar as empresas a encontrarem os melhores espaços, a JLL incita a reflexão sobre diversidade e inclusão em seus clientes, mostrando os exemplos que possui dentro de casa. E não são poucos.

No Rio de Janeiro, a multinacional do mercado imobiliário contou com o apoio de sua parceira WeWork para adaptar o escritório para as necessidades de um colaborador com má formação congênita dos membros inferiores. Uma consultoria especializada acompanhou o dia a dia do analista de Tecnologia da Informação Bruno Miranda para sugerir as adaptações de ergonomia, que incluíam adequar a altura do forno de micro-ondas e disponibilizar uma plataforma para que ele atingisse a altura da pia na cozinha.

“É importante se sentir bem recebido no local de trabalho, porque já são tantas as dificuldades na rua. Isso facilita com que eu desempenhe bem meu trabalho”, diz Miranda.

Em São Paulo, o case de sucesso é a acessibilidade para pessoas com deficiência intelectual, com criação de apoios para a realização das atividades de forma independente, incluindo o uso de sistemas e equipamentos. Outra iniciativa é a criação de comitês com foco em mulheres e pessoas LGBTI+, por exemplo.

“Começamos os comitês com o objetivo de levar conscientização aos colaboradores por meio de eventos e conteúdo. Agora, queremos mapear indicadores de diversidade dentro da JLL e aprimorar processos internos para promover uma empresa mais inclusiva.”

Thays Toyofuku, gerente de D&I, JLL


Essa conscientização já começa no início da jornada dos colaboradores na JLL. A analista de Recursos Humanos Roberta Ferreira é uma das responsáveis por fazer o treinamento de diversidade na integração dos novos funcionários e fala bastante sobre o tema, pois são causas que a tocam pessoalmente.

“Sou bissexual e não escondo minha orientação, afinal minha sexualidade não influencia na minha performance. É importante falar sobre o assunto, porque são vidas. O ramo de Manutenção, por exemplo, é muito masculino e pode haver mais preconceito, por isso precisamos sensibilizá-los de que não é brincadeira”, comenta.

Por outro lado, ela sente uma abertura cada vez maior para falar sobre diversidade e tem percebido o interesse das pessoas. “Elas estão mais abertas a entender o outro, vendo a necessidade de se adequar, e já perguntam quais são os termos corretos de usar. Como profissional de RH, meu papel é acolher todos”, conclui.