Reportagem

A importância de considerar a neurodiversidade no design de escritórios

"Os indivíduos são diversos no jeito de aprender, interagir e trabalhar, e os espaços precisam refletir isso para alcançar a máxima produtividade das equipes."

14 de Setembro de 2021
Autores:
  • Roberta Hodara, especialista em Workplace e Change Management da JLL

O que a neurodiversidade tem a ver com o design de escritórios? Atualmente, tudo. Mas, para entender essa relação, vamos primeiro definir o conceito. O termo neurodiversidade foi cunhado em 1998 pela socióloga Judy Singer e diz respeito às variações naturais no cérebro humano de cada indivíduo no que se refere à sociabilidade, aprendizagem, atenção e outras funções cognitivas.

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É fácil de compreender quando comparamos pessoas com diferentes características. Por exemplo, há quem precise de um espaço silencioso e com poucos estímulos para se concentrar, diferente daqueles que conseguem manter o foco mesmo em meio ao barulho e à movimentação ao redor. 

Durante muito tempo, os escritórios desconsideraram essas diferenças. Os funcionários possuíam mesas de trabalho iguais, cada um no seu quadrado (as baias), e a liderança se isolava em salas fechadas. De uns anos para cá, esse modelo deu espaço ao open office, um conceito mais moderno e alinhado aos novos estilos de gestão, que priorizam a colaboração e a inovação. Assim, as áreas de trabalho passaram a ser mais abertas e democráticas, com ambientes diferentes de acordo com o tipo de atividade a ser desenvolvida.

Agora, estamos evoluindo para um novo modelo, que considera não só o tipo de atividade exercida pelo colaborador, mas também o seu “estilo mental”. O objetivo é respeitar a maneira como cada um melhor produz para extrair o máximo desempenho das pessoas.

Podemos dizer que a adoção do trabalho híbrido, desde que permitindo a livre escolha do colaborador quanto à frequência ao escritório, também faz parte desse movimento. E não só: outro exemplo é a certificação WELL, que reconhece empreendimentos que oferecem saúde e bem-estar aos ocupantes e que está se tornando cada vez mais relevante no mercado imobiliário. Isso porque as empresas já perceberam que a qualidade de vida está intimamente ligada à satisfação e à produtividade e é, inclusive, fator de atração e retenção de talentos. 

Trabalho híbrido, bem-estar no espaço de trabalho e preocupação com a jornada do usuário nos edifícios corporativos são tendências que foram potencializadas com a pandemia.

Como desenhar o escritório para a neurodiversidade?

Para contemplar a neurodiversidade da equipe no design do escritório e atingir a máxima produtividade, é necessário, antes de mais nada, conhecer os funcionários. Mantenha um canal de comunicação aberto entre o RH e os colaboradores, para que eles possam falar sobre si, garantindo a confidencialidade das informações.

A partir daí, será possível saber se há funcionários com dislexia, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), TEA (Transtorno do Espectro Autista) ou outras condições e, assim, oferecer ambientes que sejam confortáveis para todos eles.

Áreas mais abertas, salas privativas, mobiliário diversificado, controle da luminosidade e da temperatura, ferramentas tecnológicas - tudo isso são recursos que podem ser adotados para melhorar a experiência das pessoas nos espaços corporativos. 

Design universal: espaços para todos

A preocupação com a neurodiversidade nos escritórios é um dos componentes do design universal, que orienta a concepção de ambientes utilizáveis pelo maior número possível de pessoas, com diferentes capacidades, sem necessidade de adaptação.

Embora seja uma tendência global, o design universal ainda não é uma realidade para a maioria das empresas no Brasil. No entanto, acredito que o momento é ideal para trazer essa discussão à tona, visto que as empresas estão readequando seus escritórios para a retomada do trabalho presencial - se é que já não o fizeram.

Proporcionar um retorno acolhedor e confortável a todos os colaboradores, mostrar que eles estão no centro das decisões da empresa, com certeza aumentará a satisfação, o engajamento e os resultados do negócio. 

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